No dia 15/7, às 20h, o SescTV exibe em seu canal o documentário Alaíde Costa Canta José Miguel Wisnik, dirigido por Daniel Augusto. A produção mostra o reencontro entre Alaíde Costa e José Miguel Wisnik em estúdio, para a gravação do álbum homônimo, lançado pelo Selo Sesc em dezembro de 2020.

O filme, que reconstitui a força expressiva de Alaíde ao interpretar com destreza pérolas do cancioneiro popular brasileiro, também poderá ser assistido sob demanda, a partir de 15/7, em sesctv.org.br, gratuitamente e sem necessidade de cadastro.

Alaíde Costa Canta José Miguel Wisnik, álbum lançado quando Alaíde completou 85 anos de idade, também está disponível nas plataformas digitais de streaming e na Loja Sesc: http://bit.ly/OAnelVenda. Assista o videoclipe de lançamento em Alaíde Costa – Saudade da Saudade (part. José Miguel Wisnik) | Clipe | Selo Sesc – YouTube

Durante o documentário, no estúdio, a cantora Alaíde Costa e o instrumentista e compositor José Miguel Wisnik relembram sua primeira parceria, no ano de 1968. Época em que a cantora passou a fazer parte do rol de intérpretes da primeira edição paulista do Festival Universitário da Canção Popular, exibido pela extinta TV Tupi. Alaíde foi escolhida por um jovem compositor de apenas 20 anos de idade para apresentar sua canção de estreia, “Outra Viagem”, escrita naquele ano. Só agora, 52 anos depois, é que os dois reatam esse elo silencioso e intacto para gravar essa e outras canções do cantor, compositor, pianista e escritor paulista.

“Ele me escolheu, foi emocionante, um encontro maravilhoso. Fiquei muito sensibilizada com a música que ele fazia. Além de “Outra Viagem”, naquela época ensaiamos várias músicas que ele cantava para mim,” explica Alaíde.

Para Wisnik, “Outra Viagem” é a canção mais misteriosa que ele já fez, porque fala sobre coisas, sentimentos que o compositor não sabia o que eram. “Essa canção é a maior de todas que já fiz, a mais intima e profunda, fora de meu controle. Senti que Alaíde também estava comovida”, conta o pianista.

Entre lembranças e canções, a dupla fez uma viagem no tempo, cada um à sua maneira, relembrando uma vida inteira em uma canção. Essa é a força de “O Anel”, composição feita por Wisnik em alusão a um encontro com Alaíde na juventude. “No final do festival em 68 fomos a uma espécie de danceteria. Senti uma grande emoção, tirei o anel que usava e coloquei na mão do Wisnik. Agora em nosso reencontro ele cantou O Anel comecei a chorar, mexeu muito comigo”, confessa Alaíde.

O documentário nasceu a partir da gravação do disco em outubro de 2020, no estúdio Space Blues, em São Paulo, e duas de suas músicas também levam o nome de Paulo Neves, como “Saudade da Saudade” (1997), composição que Wisnik define como “uma canção sobre as canções”, que vão de Tom Jobim (1927-1994) a Caetano Veloso, e “Por um fio” (2000). O compositor e violonista Guinga divide com Wisnik a autoria de “Ilusão real” (2011) que, assim como “Estranho Jardim” (1989), foram escolhidas por Alaíde para compor o disco.

Músicas:

O Anel (José Miguel Wisnik)
Saudade da Saudade (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)
Ilusão real (Guinga/José Miguel Wisnik)
Estranho jardim (José Miguel Wisnik)
Por um fio (José Miguel Wisnik/Paulo Neves)
Outro dia em verde prado – I’autre hier em um vert pré (anônimo – século XIII, tradução Guilherme de Almeida)
Onde está você (Oscar Castro Neves/Luvercy Fiorini)
Laser (Ricardo Breim/José Miguel Wisnik)
Outra viagem (José Miguel Wisnik)

Alaíde Costa

Iniciou sua carreira profissional como crooner do dancing Avenida, no Rio de Janeiro. Em 1959, levada por João Gilberto (1931-2019), entrou em contato com os compositores da bossa nova e gravou seu primeiro LP, “Gosto de você”. No ano seguinte, lançou o LP “Alaíde canta suavemente” e começou a apresentar-se nos shows de bossa nova. Casou-se e foi morar em São Paulo. Entre as novas gravações e apresentações, realizou um recital de canções renascentistas no Theatro Municipal de São Paulo, intitulado “Alaíde alaúde”, com o maestro Diogo Pacheco. Ficou um período sem gravar, participou das quatro edições do Festival da Tupi, entre os anos de 1968 e 1971 e no ano seguinte, gravou em dueto com Milton Nascimento a faixa “Me deixa em paz” (Airton Amorim e Monsueto), incluída no LP “Clube da Esquina”. Nesta trajetória de mais de 60 anos de carreira, também gravou com Johnny Alf (1929-2010), Lúcio Alves (1927-1993), Tom Jobim, Paulinho da Viola, Ivan Lins e Egberto Gismonti, só para citar alguns de uma extensa lista. Em 2014, finalmente realizou o seu sonho de gravar um disco autoral. “Canções de Alaíde” foi lançado pelo selo “Nova Estação” e produzido por Thiago Marques Luiz.

José Miguel Wisnik

Wisnik tem uma carreira singular: é músico, escritor e professor. Lançou os CDs José Miguel Wisnik (1993), São Paulo Rio (2000), Pérolas aos poucos (2003), Indivisível (2011) e Ná e Zé (2015). Fez música para cinema, teatro e dança, com destaque para as quatro trilhas que compôs para o Grupo Corpo: Nazareth (1993), Parabelo (1997, com Tom Zé), Onqotô (2005, com Caetano Veloso) e Sem mim (2011, em parceria com Carlos Núñez). Tem canções interpretadas por Elza Soares, Maria Bethânia, Gal Costa, Zizi Possi, Ná Ozzetti, Jussara Silveira, Monica Salmaso, Eveline Hecker e parcerias com Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Zé, Guinga, Luiz Tatit, Alice Ruiz, Marcelo Jeneci. Entre seus livros publicados encontram-se O som e o sentido – Uma outra história das músicas (1989, Companhia das Letras), Sem receita – Ensaios e canções (2004, Publifolha), Machado maxixe – O caso Pestana (2008, Publifolha), Veneno remédio – o futebol e o Brasil (2008, Companhia das Letras) e o recente Maquinação do mundo – Drummond e a mineração (2018, Companhia das Letras), vencedor do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2019. Em 2020 lançou o primeiro single/videoclipe “A terra plana” do próximo disco inédito que está por vir.

Sobre o SescTV:

O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

Serviço:

Documentário: O Anel – Alaíde Costa Canta José Miguel Wisnik.
Exibição: 15/7, quinta, às 20h.
Reapresentações: 17/7. Sábado, 22h e 22/7. Quinta, 0h.
Classificação indicativa: Livre.
Direção: Daniel Augusto.
Produção: Cinematographo .

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