Achadouros foi o melhor Espetáculo infantil no prêmio SESC do Teatro Candango 2015

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande.” (Manoel de Barros)

Por meio de encenação poético-teatral, da exploração da linguagem não verbal e do conceito de ressignificação de objetos do cotidiano, ACHADOUROS propõe uma reflexão poética sobre a chegada do ser humano ao mundo e sobre sua capacidade transformadora e criativa.

As atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria, durante um mês, estudaram o universo infantil em visitas a uma creche, duas vezes por semana, na companhia do diretor teatral José Regino. O resultado desse aprendizado foi essencial para a montagem , pois “A primeira infância é um lugar onde o jogo poético surge de brincadeira. Nela encontramos fecundo material para o fazer artístico, pois nessa fase o espanto com as coisas ‘óbvias’ da vida é evidente. As crianças estão em ‘estado de poesia’, a linguagem e o corpo estão ainda brincando na sua formação”, afirma o diretor José Regino, que já participou de outros projetos teatrais com crianças da primeira infância e para bebês, como “Panapanã” e “Alma de Peixe”.

ACHADOUROS trabalha com o conceito de “ressignificação” dos objetos. Como é o caso das inúmeras sacolas de plástico na cor branca compondo o cenário, que hora se transformam em galinha, cachorro, peixe e até borboletas que – literalmente – voam e também assumem o papel de água do mar, do rio ou do lago.

“Em nosso trabalho, a ressignificação das sacolas plásticas é uma reflexão sobre a necessidade de reavaliação de uma cultura pautada no consumismo descartável.

Seu uso massivo no cenário remete ao exagero e à banalização na relação com os materiais industrializados”, afirmam Caísa Tibúrcio e Nara Faria. São consumidos cerca de 2,5 bilhões a 1 trilhão de sacolas plásticas por ano no mundo. Cada uma leva até 400 anos para se decompor.

As atrizes, que também são palhaças, explicam que tiveram muito cuidado para fugir dos clichês relacionados ao que convencionalmente é chamado de universo infantil. “Não é preciso mil estímulos para estabelecer a comunicação com a criança e compartilhar da experiência artística”, esclarecem Caísa e Nara, que escolheram tons neutros para trabalharem a cenografia e figurino e optaram pela linguagem não verbal.

A dramaturgia do espetáculo é evocativa e provocativa. Os elementos cênicos utilizados possibilitam uma recepção aberta, em que os signos evocam a diversidade das experiências cotidianas de bebês, crianças e adultos. As personagens/figuras permitem a comunicação com o público a partir da gestualidade e da música originalmente criada para o espetáculo, fazendo com que este compreenda a narrativa a partir de suas próprias referências e criatividade.

Assim, o espetáculo auxilia o espectador a tornar-se um co-criador da obra, acentuando a potencialidade do ser humano em criar.

Serviço

Espaço Cultural Renato Russo
Achadouros
Sala Multiuso
18 a 19/01 e 25 a 26
sábado e domingo 11h e 16
Classificação Indicativa de idade – 06 meses a 04 anos
R$30,00 Inteira (bebês e crianças pagam meia entrada)

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