No dia 7 de maio, às 19h, a CAIXA Cultural Brasília recebe a mostra coletiva “A queda do céu”. São obras de 21 artistas e ativistas que abordam questões enfrentadas pelas comunidades indígenas e que afetam a sociedade

A mostra ocupará três salas expositivas do espaço – a galerias Principal e as Piccolas I e II – e ficará em cartaz de 8 de maio a 30 de junho, com visitação de terça-feira a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca e a classificação indicativa é livre para todos os públicos.

No dia da abertura às 19h, no Teatro da CAIXA Cultural, acontecerá uma conversa com o líder indígena, ambientalista e escritor brasileiro, Ailton Krenak e com o curador da exposição. O evento contará com tradução em LIBRAS. A entrada é gratuita.

A abertura da exposição será precedida por uma conversa com o Curador Moacir dos Anjos e o ativista Ailton Krenak no Teatro da CAIXA, com entrada gratuita e classificação indicativa livre para todos os públicos. A mostra “A queda do céu” é uma realização de Bruna Neiva, da Tuîa Arte Produção, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal. A CAIXA Cultural Brasília fica na A CAIXA Cultural Brasília fica no Setor Bancário Sul (SCS) Quadra 4 Lotes 3/4.

“A queda do céu”, é um projeto criado pelo curador Moacir do Anjos que reúne 50 obras artistas e pensadores brasileiros e estrangeiros realizadas nos mais variados suportes e produzidas nos últimos anos. De intenso valor poético, elas evidenciam os processos de violência e de contínua despossessão sofridos pelas comunidades indígenas no Brasil. “O título da mostra é uma referência explícita ao livro do xamã yanomami Davi Kopenawa, escrito em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert e publicado originalmente na França (La chute du ciel, 2010). No livro, Kopenawa apresenta a cosmogonia que rege as crenças de seu povo – fundada em intricada e instável relação entre humanos, floresta e espíritos – e narra as ameaças a estes fundamentos de vida que resultam das ações predadoras do “homem branco” ao longo de séculos.

A exposição, informa Moacir dos Anjos, não tem a pretensão de conter as inúmeras ações nocivas contra os povos indígenas do Brasil e da América nem ao meio ambiente afetado pela mineração, construção de barragens, o desmatamento, a introdução de doenças que dizimam populações inteiras. “Ela quer aproximar e articular trabalhos artísticos que prenunciam, evidenciam e combatem a progressiva despossessão sofrida por populações indígenas iniciada em seu contato involuntário com o colonizador branco: aquele que lhes quis e ainda quer subtrair a sua condição de humanos, e que não suporta o convívio com a diferença”, completa.

Serviço

A queda do Céu
Local: CAIXA Cultural Brasília – as Galerias Principal e Piccolas I e II, (SBS Quadra 4 Lotes 3/4)
Abertura e conversa com o curador Moacir dos Anjos e o ativista Ailton Krenak: 7 de maio de 2019, às 19h
Visitação: de 8 de maio 30 de junho de 2019
Horário: de terça a domingo, das 9h às 21h
Entrada Franca
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência
Informações: (61) 3206-9448 e (61) 3206-9449
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal / Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal

Sobre os artistas e pensadores

Ailton Krenak nasceu no Vale do rio Doce, Minas Gerais, em 1954, na tribo dos Krenak. Aos 17 anos, Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná. Alfabetizou-se aos 18 anos, tornando-se a seguir produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980 passou a se dedicar exclusivamente à articulação do movimento indígena. Em 1987, no contexto das discussões da Assembleia Constituinte, Ailton Krenak foi autor de um gesto marcante, logo captado pela imprensa e que comoveu a opinião pública: pintou o rosto de preto com pasta de jenipapo enquanto discursava no plenário do Congresso Nacional, em sinal de luto pelo retrocesso na tramitação dos direitos indígenas. Em 1988, participou da fundação da União das Nações Indígenas (UNI), fórum intertribal interessado em estabelecer uma representação do movimento indígena em nível nacional, participando em 1989 do movimento Aliança dos Povos da Floresta, que reunia povos indígenas e seringueiros em torno da proposta da criação das reservas extrativistas, visando a proteção da floresta e da população nativa que nela vive. Nos últimos anos, Ailton voltou a Minas Gerais para ficar mais perto do seu povo. Atualmente, está no Núcleo de Cultura Indígena, ONG que realiza desde 1998 o Festival de Dança e Cultura Indígena, idealizado e mantido por Ailton Krenak, na Serra do Cipó (MG), evento que visa promover o intercâmbio entre as diferentes etnias indígenas e delas com os não-índios. A narrativa de Ailton “O Eterno Retorno do Encontro” foi publicada em “A outra margem do Ocidente”, organizada por Adauto Novaes, Minc-Funarte/Companhia Das Letras, 1999.

Nascida no Rio de Janeiro em 1933, Anna Bella Geiger é escultora, pintora, gravadora, desenhista, artista intermídia e professora. Com formação em língua e literatura anglo-germânicas, iniciou, na década de 1950, seus estudos artísticos no ateliê de Fayga Ostrower (1920 – 2001). Em 1954, viveu em Nova York, onde frequentou as aulas de história da arte com Hannah Levy no The Metropolitan Museum of Art – MET [Museu Metropolitano de Arte] e, como ouvinte, cursos na New York University. Retornou ao Brasil no ano seguinte. Entre 1960 e 1965, participou do ateliê de gravura em metal do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ, onde passou a lecionar três anos mais tarde. Em 1969, novamente em Nova York, ministrou aulas na Columbia University. Voltou ao Rio de Janeiro em 1970. Em 1982, recebeu bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, em Nova York. Publicou, com Fernando Cocchiarale, o livro “Abstracionismo Geométrico e Informal: a vanguarda brasileira nos anos cinquenta”, em 1987. Sua obra é marcada pelo uso de diversas linguagens e a exploração de novos materiais e suportes. Ainda nos anos 1970, sua produção ganhou caráter experimental: fotomontagem, fotogravura, xerox, vídeo e Super-8. A partir dos anos 1980, dedicou-se também à pintura. Desde a década de 1990, emprega novos materiais e produz formas cartográficas vazadas em metal, dentro de caixas de ferro ou gavetas, preenchidas por encáustica. Suas obras situam-se no limite entre pintura, objeto e gravura.

A formação artística de Armando Queiroz, Belém (PA), 1968, foi constituída através de leituras, experimentações, participações em oficinas e seminários. Desde 1993, expõe e participa de diversas mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Integrou projetos como: “Macunaíma”, 1997, no Rio de Janeiro, e “Prima Obra, Brasília”, 2000. Participou do Salão Arte Pará como artista convidado em 1998, 2005, 2006, 2007 e 2008. Na cidade de Abaetetuba (PA), 2003, realiza sua primeira intervenção urbana no Mercado de Carne Municipal como resultado do workshop “Projetos Tridimensionais II”, promovido pelo Instituto de Artes do Pará – IAP. Foi bolsista do mesmo Instituto de Artes em duas oportunidades: com a bolsa de pesquisa “Possibilidades do Miriti como Elemento Plástico Contemporâneo”, 2003. E, em 2008, com a bolsa de pesquisa “Corpo toma Corpo, estudos em Videoarte – O Corpo como Intermediador entre a Vida e a Arte”. Sua produção artística abrange desde objetos diminutos até obras em grande escala e intervenções urbanas. Detém-se conceitualmente às questões sociais, políticas, patrimoniais e às questões relacionadas à arte e à vida. Cria a partir de observações do cotidiano das ruas, apropria-se de objetos populares de várias procedências e tem como referência a cidade. Foi contemplado com a bolsa de pesquisa em arte do Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas 2009-2010. Em 2009, seu site specific “Tempo Cabano” recebeu o 2º Grande prêmio do 28º Arte Pará. Em 2010, recebeu Sala Especial no 29º Arte Pará como artista homenageado do salão. Participou da 31ª Bienal de São Paulo. Vive e trabalha em Belém.

Nascido em Bragança, Pará, em 1953, Bené Fonteles é artista plástico, jornalista, editor, escritor, poeta e compositor. Iniciou sua carreira em 1971, expondo no 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará. Em Fortaleza, trabalhou como jornalista. Durante as décadas de 1970 e 1980, integrou anualmente diversas exposições coletivas, nacionais e internacionais, ligadas à arte postal e a pesquisas de novos meios de expressão. Nesse período, participou de quatro edições da Bienal Internacional de São Paulo (1973, 1975, 1977 e 1981). Realizou, ainda, a partir de 1974, diversas mostras individuais, no Brasil e no exterior. Entre 1983 e 1986, dirigiu o Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Na década de 1980, envolveu-se em projetos e movimentos voltados à preservação ecológica, procurando uni-los à criação artística. Em 1991, mudou-se para Brasília, onde mantém atuação como ativista ecológico e organizador de eventos artísticos. Em 1997, organizou a montagem da sala especial do artista baiano Rubem Valentim, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA). Entre os livros que publicou, destacam-se “O Livro do Ser” (1994) e “O Artista da Luz“ (2001), sobre Rubem Valentim. Seu trabalho como compositor está reunido no CD “Benditos”, lançado em 2003, que agrupa três trabalhos anteriores, “Bendito” (1983), “Silencioso” (1989) e “Aê” (1991). Em 2003, recebeu da Presidência da República a comenda Ordem do Mérito Cultural.

Cildo Meireles (1948, Rio de Janeiro) desempenha um papel chave dentro da produção artística nacional e internacional. Situando-se na transição da arte brasileira entre a produção neoconcretista do início dos anos 60 e a de sua própria geração, já influenciada pelas propostas da arte conceitual, instalações e performances, as obras de Cildo Meireles dialogam não só com as questões poéticas e sociais específicas do Brasil, mas também com os problemas gerais da estética e do objeto artístico. Durante os anos 1970 e 1980, Cildo Meireles arquitetou uma série de trabalhos que faziam uma severa crítica à ditadura militar. Obras como “Tiradentes: totem monumento ao preso político ou Introdução a uma nova crítica”, que consiste em uma em uma tenda sob a qual se encontra uma cadeira comum forrada com pontas de prego, são alguns trabalhos de cunho político do artista. Neles a questão política sempre vem acompanhada da investigação da linguagem. “Inserções em circuito ideológico: Projeto Coca Cola”, consistiu em escrever, sobre uma garrafa de Coca Cola, a frase “Yankees go home”, para, posteriormente, devolvê-la à circulação. Além da questão política, o projeto faz referência a toda problematização desenvolvida pelos movimentos de vanguarda e por Marcel Duchamp no início do século; uma espécie de ready made às avessas. O artista examina a falibilidade da percepção humana, os processos de comunicação, as condições do espectador, a relação da obra de arte com o mercado. Cildo Meireles participou de várias bienais, entre elas: Veneza (1976), Paris (1977), São Paulo (1981, 1989 e 2010), Sydney (1992), Istambul (2003) e Liverpool (2004). Teve retrospectivas de suas obras realizadas no IVAM Centre del Carme, Valência (1995), Museum of Fine Arts, Nova York (1999), Tate Modern, Londres (2008) e no Museum of Fine Arts, Houston (2009). Em 2008 recebeu o Prêmio Velázquez de las Artes Plásticas, concedido pelo Ministério de Cultura da Espanha. Em 2009, sob a direção de Gustavo Moura, foi lançado o longa-metragem “Cildo”, sobre sua obra. No dia 19 de novembro de 2012, foi realizada em Nova York, no The New Museum, uma retrospectiva de Cildo Meireles, a primeira na história do museu a ocupar todos os três pisos de suas dependências, composta de cinco instalações, em escala ambiente para as salas e com a possibilidade de se caminhar entre elas. Expôs ainda, treze esculturas grandes e vários desenhos. Apresentou ainda uma única pintura do artista Barrenechea, uma homenagem a seu antigo mestre.

A fotógrafa Claudia Andujar nasceu em Neuchâtel, Suíça, em 1931. Morou na Hungria e depois nos Estados Unidos. Em 1957, mudou-se onde passa a dedicar-se à fotografia e trabalhar para publicações nacionais e internacionais, como as revistas “Realidade”, “Claudia” e “Life”. Também começa a lecionar fotografia em vários cursos, entre eles o do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). Na década de 1970, como parte da equipe de fotógrafos da “Realidade” realizou uma ampla reportagem sobre a Amazônia. Nessa época, recebeu uma bolsa da instituição norte-americana Fundação Guggenheim e, posteriormente, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para estudar os índios Yanomami. As tradições e o modo de vida dos Yanomamis têm sido, desde então, o tema central de sua atividade. Entre 1978 e 1992, participou da Comissão pela Criação do Parque Yanomami e coordenou a campanha pela demarcação das terras indígenas. Entre 1993 e 1998, atuou no Programa Institucional da Comissão Pró-Yanomami. Publicou os livros “Amazônia”, em parceria com George Love (1937-1995), pela editora Praxis, em 1978; “Mitopoemas Yanomami”, pela Olivetti do Brasil, em 1979; “Missa da Terra sem Males”, pela editora Tempo e Presença, em 1982; e “Yanomami: A Casa, a Floresta, o Invisível”, pela editora DBA, em 1998, entre outros. Em 2005, lançou o livro “A Vulnerabilidade do Ser”, pela editora Cosac & Naify. Em 2015, inaugurou a Galeria Claudia Andujar, um pavilhão dedicado a sua obra, no Instituto Inhotim, em Minas Gerais. No mesmo ano, lançou o documentário “A Estrangeira”, que traz sua vida enquanto artista e ativista, dirigido pelo curador de seu pavilhão, Rodrigo Moura.

Fábio Tremonte (1975) vive e trabalha em São Paulo. Mestre em Artes Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e Bacharel em Artes com qualificação em multimídia e intermídia pela mesma instituição, participou de várias exposições coletivas, com destaques para “Abre Alas” na Galeria A Gentil Carioca, “Não Mais Impossível” no CCBB Fortaleza, “Porque Sim” na Galeria Millan e “Exposição de Verão” na Galeria Silvia Cintra + Box4 (2011), 15º Salão da Bahia no Museu de Arte Moderna da Bahia (2008), Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo (2005), Ocupação no Paço das Artes (2005), Artista Personagem na Mariantônia (2004) e Vizinhos na Galeria Vermelho (2003). Dentre suas individuais destacam-se “Ilhas” no MARP (2010), “Nada Mais” no Ateliê 397 (2009), “Vista Para o Mar” no Centro Cultural São Paulo (2006), “Paisagem #4” no Paço das Artes (2005). Trabalha como educador em instituições culturais – com oficinas e cursos de treinamento para professores; coordenou o programa educacional da 28ª Bienal de São Paulo. Atualmente é professor de educação fundamental na Escola Ágora.

Jornalista e fotógrafo profissional desde 1989, o pernambucano Fred Jordão trabalha como fotógrafo em projetos de documentação institucional, além de reportagens e publicidade. Já publicou seis livros, com destaque para o “Eu Vi o Mundo”, que registra os making ofs dos filmes em que participou como fotógrafo still, a exemplo do “Baile Perfumado”, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira; “Clandestina Felicidade”, de Marcelo Gomes e Beto Normal; “O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas”, de Paulo Caldas e Marcelo Luna e “Deserto Feliz”, de Paulo Caldas. Já participou de mais de 15 exposições nacionais e, em 2005, recebeu o prêmio de Pesquisa em Fotografia do 46º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Foi curador do Observatório Cultural Malakoff no período de 2002 a 2005.

Harun Farocki nasceu na Tchecoslováquia, 1944, e faleceu em 2014. De 1966 a 1968, frequentou a Deutsche Filmund Fernsehakademie Berlin (DFFB). Além de ocupar cargos em Berlim, Düsseldorf, Hamburgo, Munique e Stuttgart, foi professor visitante na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Farocki fez aproximadamente 120 vídeos, incluindo filmes, ensaios e documentários. Trabalhou em colaboração com outros cineastas como roteirista, ator e produtor. Em 1976, encenou as peças de Heiner Müller “The Battle and Tractor” junto com Hanns Zischler na Basileia, Suíça. Ele escreveu para inúmeras publicações e, de 1974 a 1984, foi editor e autor da revista “Filmkritik” (Munique). Apresentou seu trabalho em mostras pelo mundo, tanto em galerias privadas como em museus. Próximo, em termos geracionais, de Werner Herzog, Wim Wenders e Rainer Werner Fassbinder, Farocki tinha motivações que o distanciavam dos seus pares. “Ele desejava sobretudo interrogar as imagens, até ao máximo”, diz Jürgen Bock, diretor da Escola Maumaus e da Galeria Lumiar Cité. “Mas criando sempre as circunstâncias para o espectador pensar, para tirar as suas próprias conclusões. Nunca insistiu numa verdade, nem na verdade do documentário que, para ele, era também uma manipulação, uma construção”. As convulsões sociais e políticas dos finais da década de 1960 marcariam para sempre o entendimento do cinema por Harun Farocki. Testemunha das revoltas estudantis e do “espetáculo” da guerra do Vietnã na televisão, o cineasta assumiu uma posição militante, criticando a indústria cultural. Posicionou-se sempre diante das imagens para as questionar, sem perder a verve poética do cinema.

Nascido em 1985, Jaime Lauriano vive e trabalha em São Paulo. Graduou-se pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo em 2010. Com trabalhos marcados por um exercício de síntese entre o conteúdo de suas pesquisas e estratégias de formalização, o artista convoca o público a examinar as estruturas de poder contidas na produção da História. Em peças audiovisuais, objetos e textos críticos, Lauriano evidencia como as violentas relações mantidas entre instituições de poder e controle do Estado – como polícias, presídios, embaixadas, fronteiras – e sujeitos moldam os processos de subjetivação da sociedade. Assim, sua produção busca trazer à superfície traumas históricos relegados ao passado, aos arquivos confinados, em uma proposta de revisão e reelaboração coletiva da História. Entre suas exposições mais recentes, destacam-se as individuais: “Nessa terra, em se plantando, tudo dá”, CCBB Rio de Janeiro, 2015; “Autorretrato em Branco sobre Preto”, Galeria Leme, São Paulo, 2015; “Impedimento, Centro Cultural São Paulo, 2014; “Em Exposição”, Sesc, São Paulo, 2013; e as coletivas: “Totemonumento”, Galeria Leme, São Paulo, 2016; “10TH Bamako Encounters”, Museu Nacional, Bamako, Mali, 2015; “Empresa Colonial”, Caixa Cultural São Paulo, Brasil, 2015; “Frente a Euforia”, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, 2015; “Tatu: futebol, adversidade e cultura da caatinga”, Museu de Arte do Rio (MAR), Rio de Janeiro, 2014; “Taipa-Tapume”, Galeria Leme, São Paulo, 2014; “Espaços Independentes: A Alma É O Segredo Do Negócio”, Funarte, São Paulo, 2013. Suas obras fazem parte do acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, e do MAR – Museu de Arte do Rio.

Jimmie Durham nasceu em Washington, Arkansas (EUA), em 1940. Em 1968, matriculou-se na École des Beaux-Arts de Genebra (Suíça), onde trabalhou principalmente com performance e escultura. Com outros três artistas, formou o grupo Draga, que explorou maneiras de integrar a arte na vida pública. Nesse período, formou uma organização com amigos indígenas da América do Sul chamada Incomindios, uma tentativa de coordenar e incentivar o apoio à luta dos povos indígenas das Américas. Em 1973, retornou aos Estados Unidos para participar da ocupação no Wounded Knee, Dakota do Sul, onde ajudou a organizar o Movimento Indígena Americano (AIM), do qual tornou-se membro do Conselho Central em 1975. Nesse mesmo ano, tornou-se diretor executivo do Conselho Internacional dos Tratados Indígenas (IITC) na cidade de Nova York e foi o representante dos índios americanos na Organização das Nações Unidas (ONU), o primeiro grupo minoritário a ter uma representação oficial dentro da organização. De 1975 a 1980, foi coeditor do “Council News”, um jornal mensal do IITC, e editou a segunda edição das “Crônicas do protestante indígena americano”, 1976, publicado pelo Conselho sobre Livros Inter-raciais para Crianças. Em 1980, deixou o AIM e voltou seu foco para a arte. Ao longo daquela década, seu trabalho abordou questões de identidade, modos de representação e violência colonial e genocídio, especificamente relacionados às experiências dos povos indígenas nas Américas. Foi diretor da Fundação para a Comunidade de Artistas da Cidade de Nova York de 1981 a 1983, e de 1982 a 1985 editou o jornal mensal de “Arts & Artists” (anteriormente “Artworkers News”). Em 2010, recebeu Sala Especial no 29º Arte Pará como artista homenageado do salão. Participou da 31ª Bienal de São Paulo. Vive e trabalha em Belém.

Nascido em Fortaleza, Ceará em 1957, Leonilson faleceu em São Paulo em 1993. Em 1961, mudou-se com a família para São Paulo. Entre 1977 e 1980, cursou educação artística na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) onde foi aluno de Julio Plaza (1938-2003) e Nelson Leirner (1932). Teve aulas de aquarela com Dudi Maia Rosa (1946) na escola de artes Aster, que frequentou de 1978 a 1981. Nesse último ano, em Madri, realizou sua primeira individual na galeria Casa do Brasil e viajou para outras cidades da Europa. Em Milão, teve contato com Antonio Dias (1944) que o apresentou ao crítico de arte ligado à transvanguarda italiana Achille Bonito Oliva (1939). Retornou ao Brasil em 1982. A obra de Leonilson é predominantemente autobiográfica e está concentrada nos últimos dez anos de sua vida. Segundo a crítica Lisette Lagnado, cada peça realizada pelo artista é construída como uma carta para um diário íntimo. Em 1989, começa a fazer uso de costuras e bordados, que passam a ser recorrentes em sua produção. Em 1991, descobre ser portador do vírus da Aids e a condição de doente repercute de forma dominante em sua obra. Seu último trabalho, uma instalação concebida para a Capela do Morumbi, em São Paulo, em 1993, tem um sentido espiritual e alude à fragilidade da vida. Por essa mostra e por outra individual realizada no mesmo ano, recebeu, em 1994, homenagem póstuma e prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). No mesmo ano de sua morte, familiares e amigos fundam o Projeto Leonilson, com o objetivo de organizar os arquivos do artista e de pesquisar, catalogar e divulgar suas obras.

De Olinda (PE), 1975, Lourival Cuquinha vive e trabalha em Recife (PE) e São Paulo (SP). Seu trabalho aborda o campo político a partir de impressões estritas e pessoais. Não tendo chegado ao fim de nenhum curso acadêmico, mas tendo cursado Engenharia Química, Filosofia, Direito e História, passou dez anos na Universidade Federal de Pernambuco (1993 – 2002). Nas Artes Visuais, inicia-se com um coletivo de artistas, o Molusco Lama, nos idos de 1996 ou 1997, com muitas ações e performances. Depois de algumas participações em salões e exposições pernambucanas e tendo trabalhado como designer, diretor de clip e cenógrafo da banda Textículos de Mary, participou da “Mostra Rio de Arte Contemporânea” em 2002. Nesta mostra, junto com Daniela Brilhante, foi premiado pelo trabalho “1° concurso mundial do Mickey Feio”. Paralelamente, trabalhou no atelier coletivo Submarino (2002 – 2004) onde expôs e participou de várias obras e ações coletivas, como o nunca finalizado filme da “MONGA”. Em 2003, fez pela primeira vez o trabalho “Varal”, no SPA – semana de artes visuais do Recife. Desde então, não para mais de fazê-lo (talvez já esteja na hora, mas adora o processo e alguns trabalhos se tornam autônomos em relação ao artista). Esse trabalho foi premiado no Olinda Arte em Toda Parte, 2003, e no 7º Salão do Mar em 2006.

Nascida em São Paulo, 1961, Maria Thereza Alves trabalha e apresenta sua obra internacionalmente desde a década de 1980, quando cria um corpo de trabalho que investiga as histórias e circunstâncias de locais específicos para testemunhar histórias silenciadas. Seus projetos são baseados em pesquisas e desenvolvem suas interações com os ambientes físicos e sociais dos locais onde mora ou visitas a exposições e residências. Esses projetos começam em resposta às necessidades locais e passam por um processo de diálogo que muitas vezes é facilitado entre as realidades materiais e ambientais e as circunstâncias sociais. Embora ciente dos binários ocidentais entre natureza e cultura, arte e política, ou arte e vida diária, ela deliberadamente se recusou a reconhecê-los em sua prática. Ela escolhe, em vez disso, criar espaços de agência e visibilidade para culturas oprimidas através de práticas relacionais de colaboração que exigem movimento constante em todos esses limites.

Matheus Rocha Pitta nasceu em Tiradentes, Minas Gerais, em 1980. Artista plástico brasileiro que em 2008, recebeu o Illy Sustain Art Prize, tendo participado da Bienal de Taipei e da Bienal Internacional de São Paulo, sua obra faz parte de coleções públicas como as do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Castello di Rivoli. Realizou mostras no Museu de Arte do Rio (MAR), na Fondazione Morra Greco, no Palais de Tokyo, no Krannert Art Museum e no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Como ele ressalta, por “obras que não são direcionadas”, Matheus Rocha Pitta produz fotografias, vídeos, esculturas e instalações de mídia mista em que explora como a percepção e o contexto moldam nossa compreensão do mundo.

Citando Hélio Oiticica, Robert Smithson, história e filosofia como influências, ele prefere trabalhar fora do estúdio, em resposta direta ao seu entorno. Descontextualização e recontextualização são fundamentais para sua prática. Em sua série “BO” (2010), por exemplo, fotografou vários itens de consumo – como embalagens de papel higiênico e tomates enlatados – cada um dos quais é cortado para revelar o que parece ser contrabando escondido no interior, convertendo efetivamente esses objetos inócuos em recipientes secretos. Em seus vídeos mais recentes, Rocha Pitta vem investigando as fronteiras nacionais, revelando a arbitrariedade e a tênue dessas linhas na sujeira, ao mesmo tempo tão definitiva e abstrata.

Nascido em 1946, Miguel Rio Branco é pintor, fotógrafo, diretor de cinema, além de criador de instalações multimídia. Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro. Trabalhou intensamente na Europa e Américas desde o começo de sua carreira, em 1964, com uma exposição em Berna, Suíça. Em 1966 estudou no New York Institute of Photography e, em 1968, na Escola Superior de Desenho Industrial no Rio de Janeiro. Rio Branco começou a expor pinturas em 1964, fotografias e filmes, em 1972. Trabalhou como fotógrafo e diretor de filmes experimentais em Nova York de 1970 a 1972. Dirigiu e fotografou curtas metragens e longas durante a década de 1970. Paralelamente, perseguindo sua fotografia pessoal, desenvolveu um trabalho documental de forte carga poética.

Em pouco tempo foi reconhecido como um dos melhores fotojornalistas usando filme colorido. Nos anos 1980, Miguel Rio Branco foi aclamado internacionalmente por seus filmes e fotografias na forma de prêmios, publicações e exposições como o Grande Prêmio da Primeira Trienal de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Prêmio Kodak de la Critique Photographique, de 1982, na França, que foi dividido com dois outros fotógrafos. Seu trabalho fotográfico foi visto em várias exposições nos últimos 20 anos, como no Centre George Pompidou, Paris; Bienal de São Paulo, 1983; no Stedelijk Museum, Amsterdam, 1989; no Palazzo Fortuny, Veneza, 1988; Burden Gallery, Aperture Foundation, New York, 1986; Magnum Gallery, Paris, 1985; MASP, São Paulo; Fotogaleria FUNARTE, Rio de Janeiro, 1988; Kunstverein Frankfurt, in Prospect 1996; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1996. Miguel Rio Branco dirigiu 14 curtas metragens e fotografou 8 longas. Entre seus trabalhos como diretor de fotografia está “Uma avenida chamada Brasil”, de Otavio Bezerra. Rio Branco ganhou o prêmio de melhor direção de fotografia por seu trabalho em “Memória Viva” de Otavio Bezerra e “Abolição” de Zozimo Bulbul no Festival de Cinema do Brasil de 1988. Também dirigiu e fotografou 7 filmes experimentais e 2 vídeos, incluindo “Nada levarei quando morrer aqueles que mim deve cobrarei no inferno”, que ganhou o prêmio de melhor fotografia no Festival de Cinema de Brasília e o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica Internacional no XI Festival Internacional de Documentários e Curtas de Lille, França, 1982.

De Governador Valadares, MG, 1977, Paulo Nazareth é artista performático. Após estudar entalhe em madeira com o escultor baiano Mestre Orlando (1944-2003) em 2005, licencia-se em Desenho e Plástica e torna-se Bacharel em Desenho e Gravura no ano seguinte pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde também estudou linguística, 2006 a 2010. Mora em Santa Luzia, Belo Horizonte, e trabalha em uma barraca de feira onde vende produtos diversos. Chamou a atenção do circuito nacional e internacional de arte a partir de 2010, quando deixou a comunidade de Palmital, em Belo Horizonte, para participar da feira de galerias de arte Miami Basel.

Realizou o percurso de Minas Gerais até Miami, Estados Unidos, a pé, fotografando-se com cartazes e anúncios ao longo do trajeto na performance “Notícias da América” (2011-2012). Apresentou na feira a instalação “Banana Market”, uma perua Kombi repleta de bananas. Recebeu convites para a Bienal de Veneza de 2013 e para a 12ª Bienal de Lyon. No Brasil, expôs e recebeu o Prêmio Masp de Artes Visuais 2012, na categoria Talento Emergente. Participou de diversos programas de residência na Argentina, Indonésia e Índia e integrou exposições no Brasil, no Uruguai, na França, na Noruega, na Alemanha e nos Estados Unidos. Voltou a Palmital e reinaugurou sua barraca na feira da cidade, chamando-a de Paulo Nazareth Arte Contemporânea Ltda. Em 2012, foi publicado o livro “Paulo Nazareth, Arte Contemporânea Ltda.”, que narra as viagens do artista.

Considerada uma das fotógrafas mais importantes do Chile, o trabalho de Paz Errázuriz tem um compromisso especial com o retrato em preto e branco e explora várias questões sociais, enfatizando os mundos e trabalhos mais cruéis da sociedade chilena. Sua série de trabalhos chamada “Nômades do Mar” leva-nos através do território do sul do Chile para colecionar os vestígios dos últimos membros do grupo étnico Kaweskar. Testemunhas das grandes abominações do século XX, esses rostos fissurados procuram o olho sensível do espectador. Nascida em Santiago, onde vive e trabalha até hoje, Paz ganhou grande destaque internacional com a exposição “Réplicas e Sombras”, na sala da Fundação Telefónica, Santiago, 2004, na Bienal de Veneza 2015 e na retrospectiva “Adentro-Afuera”, na Fundação Mapfre, Madri (Espanha), 2015-2016.

Antes disso, desde a década de 1980, expôs por todo o mundo em instituições de grande renome, tendo trabalhos nas coleções da Tate Gallery, Londres (Grã-Bretanha) e no MoMA, Nova York (EUA). Ao longo de sua trajetória, recebeu as bolsas de estudo Guggenheim (1986), Fundação Andes (1990), Fulbright (1992) e Fondart (1994 e 2009) para a Associação de Fotógrafos Independentes (AFI). Recebeu o Prêmio Ansel Adams, concedido pelo Instituto Chileno Americano de Cultura em 1995, o Prêmio de Carreira Artística do Círculo de Críticos de Arte do Chile em 2005 e o Prêmio Altazor em 2005. Em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Pablo Neruda e o Prêmio PhotoEspaña em 2015.

Poraco é um artista Yanomami, do território localizado em Rondônia. As obras do artista presentes na mostra “A queda do Céu” fazem parte da coleção de Carlo Zacquini e de Claudia Andujar, que mantém com o artista laços estreitos há décadas. Os Yanomami não tinham costume de desenhar. Curiosa para conhecer a cultura da tribo, a fotógrafa propôs algo inusitado. Ofereceu papel e pinceis atômicos a um grupo de indígenas e pediu que desenhassem seu habitat, mitos e tradições. Eles nunca haviam tido contato com esses materiais. “Temos o costume de definir arte a partir da tradição europeia. Desde o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, alguns grandes museus têm feito tentativas de mostrar trabalhos de fora dos centros hegemônicos. O movimento de olhar para a produção indígena como fizemos aqui vem desse momento. A proposta, é contar uma outra história da arte, baseada em outros temas e formas de produzir”.

Os desenhos criados pelos artistas Yanomami também deram origem ao livro “Mitopoemas Yãnomam”, publicado pela Olivetti, e presentes no pavilhão dedicado à Claudia Andujar no Centro de Arte Contemporânea Inhotim. À medida que os indígenas finalizavam as imagens, a artista pedia que narrassem o que haviam criado. Com a ajuda do missionário Carlo Zacquini, que gravou e traduziu as descrições, ela organizou a publicação, que apresenta a mitologia e a visualidade Yanomami. Os desenhos de Poraco reunidos na mostra revelam aspectos diversos da vida dos Yanomami, narrativas de mitos, além de padronagens comuns às pinturas corporais e à decoração de objetos.

Regina José Galindo nasceu na cidade da Guatemala (Guatemala), em 1974, onde ainda vive e trabalha. Artista visual especializada em performance, seu trabalho explora as implicações éticas universais das injustiças sociais relacionadas à discriminação racial, gênero e outros abusos envolvidos nas relações de poder desiguais que hoje atuam em nossas sociedades. Participou de inúmeras bienais pelo mundo, como as Bienais de Veneza, da Bienal de Artes Gráficas de Ljubljana, de Sharjah. de Pontevedra, de Bienal de Sydney, de Moscou, da 1ª Trienal de Auckland, Veneza-Istambul, da Bienal de Arte e Arquitetura das Ilhas Canárias, de Albânia, de Praga e de Lima. Galindo recebeu o Leão de Ouro na 51ª Bienal de Veneza em 2005, na categoria de jovem artista por seus trabalhos “Quem pode apagar as pistas?” e “Hymenoplastia”.

Em 2011, recebeu o prêmio Príncipe Claus da Holanda por sua capacidade de transformar raiva e injustiça pessoal em atos públicos poderosos que exigem uma resposta que interrompe a ignorância e a complacência para nos aproximar da experiência dos outros. Em 2011, ganhou ainda o Grande Prêmio na 29ª Bienal de Artes Gráficas em Ljubljana; em 2010, o Primeiro Prêmio em Juannio Guatemala. Em 2007, o Primeiro Prêmio da V edição da Inquieta Imagen, Madco, Costa Rica. Participou de residências artísticas e bolsas de projetos em Trebecise Casttle, (República Tcheca); em Paris (França) com o espaço LePlateau; em San Antonio, Texas (EUA), com o espaço ArtPace e uma concessão para projetos em andamento no CIFO Miami (EUA).

Vincent Carelli (Paris, 1953) é um antropólogo, indigenista e documentarista franco-brasileiro, criador do projeto “Vídeo nas Aldeias” (1987), que forma cineastas indígenas. Filho de pai brasileiro, o artista plástico Antonio Carelli, e de mãe francesa, ele nasceu em Paris e se mudou com 5 anos para São Paulo, onde estudou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo. Desde 1973 está envolvido com projetos de apoio a grupos indígenas no Brasil. Com sua mulher, a antropóloga paulista Virgínia Valadão (1952 – 1998), iniciou o projeto “Vídeo nas Aldeias”, em 1986.

O projeto, criado no âmbito do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), promoveu, ao longo de mais de vinte anos, o encontro dos indígenas com suas imagens, tornando o vídeo um instrumento de expressão da sua identidade e refletir suas visões de mundo. Além treinar e equipar as comunidades indígenas com equipamento de vídeo, o projeto estimulou a troca de informações e de imagens entre as nações, que discutiam juntas a maneira de apresentar sua realidade para o resto do mundo. Em 2009, seu documentário “Corumbiara”, um longa-metragem que conta a história de um massacre de indígenas ocorrido em 1985 na Gleba Corumbiara, no sul de Rondônia, e a vivência do diretor com os índios isolados, obteve o prêmio de melhor filme do 37º Festival de Cinema de Gramado. Carelli ganhou também o prêmio de melhor diretor, dividido com o cineasta gaúcho Paulo Nascimento. “Corumbiara” também recebeu o grande prêmio do 11° Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica).

Sobre o curador e idealizador

Moacir dos Anjos é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife (PE). Foi diretor do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM (2001- 2006) e pesquisador visitante no centro de pesquisa TrAIN – Transnational Art, Identity and Nation, University of the Arts London (2008-2009). Foi curador do pavilhão brasileiro na Bienal de Veneza (2011), curador da Bienal de São Paulo (2010), co-curador da Bienal do Mercosul, PoA (2007) e curador do Panorama da Arte Brasileira, MAM SP (2007).

Foi curador da mostra coletiva Cães sem Plumas (2014), no MAMAM e de exposições retrospectivas dos trabalhos de Cao Guimarães (2013), no Itaú Cultural, e de Jac Leirner (2011), na Estação Pinacoteca, ambas em São Paulo. Publica regularmente em revistas acadêmicas e catálogos de exposição. É autor, entre outros, dos livros Local/Global. Arte em Trânsito (Zahar, 2005) e ArteBra Crítica. Moacir dos Anjos (Automátia, 2010), além de editor de Pertença, Caderno_SESC_Videobrasil 8, São Paulo (SESC/Videobrasil, 2012).

Sobre a realizadora

Tuîa Arte Produção é uma empresa dirigida por Bruna Neiva, produtora e pesquisadora em artes visuais. Atuando há mais de uma década, a produtora brasiliense tem em seu escopo projetos de produção cultural voltados para as artes visuais, pensamento crítico e arte-educação, pensando a arte como lugar de existência simbólica e concreta para os afetos, os dissensos e o pertencimento.

Incentivo à cultura

A CAIXA valoriza amplamente a cultura nacional como ferramenta de inclusão social e reforço do orgulho de ser brasileiro. Nos últimos cinco anos, os espaços culturais da CAIXA contaram com mais de R$ 385 milhões distribuídos em Brasília, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

O investimento inclui iniciativas nos segmentos de artes plásticas, fotografia, espetáculos musicais, dança, teatro, exibição de filmes, lançamento de livros, palestras e oficinas por meio da seleção pública de projetos, realizada via Programa de Ocupação dos Espaços da CAIXA Cultural (www.programasculturaiscaixa.com.br). Esse programa é um dos principais instrumentos da política de patrocínios do banco. Com equipamentos e projeto educativo próprios, a CAIXA coloca em prática uma política de fomento à cultura, formação de plateia, apoio à diversidade cultural, profissionalização e democratização do acesso a bens culturais para aproximação com os mais diferentes públicos. Ao todo, são quase 40 anos de investimento contínuo em cultura com recursos próprios.

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