A história da Aruc


Exposição sobre a história da Aruc começa hoje no Pátio

Quem passar pela Praça Central do shopping poderá conhecer os elementos que fizeram parte do crescimento da escola de samba do Cruzeiro. Entre as peças estão duas fantasias, bandeiras, troféus, o gavião símbolo do grupo e um painel com fotos e histórias da Aruc. Tudo de graça, até 28 de fevereiro.

Em uma tarde do dia 21 de outubro de 1961, um grupo de moradores do Bairro do Gavião (antigo nome do Cruzeiro) reuniu-se nos fundos da casa de Paulo Costa, na Quadra 14, para fundar uma entidade que promovesse o congraçamento dos moradores do bairro, desenvolvendo atividades de lazer, esporte e cultura. Nascia aí a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro. Como a maioria dos seus fundadores era formada por cariocas, transferidos recentemente do Rio de Janeiro para a nova capital, uma das primeiras providências da nova entidade foi a criação do Departamento de Escola de Samba. Estavam lançadas as bases da Escola de Samba Unidos do Cruzeiro.

Esta história – e muitas outras ligadas a ela – serão contadas ao público a partir de hoje, na exposição “Carnaval de Brasília tem história”, da Aruc, que fica até o dia 28 de fevereiro na Praça Central do Pátio Brasil. De todos os objetos e fotos da escola de samba que estarão no shopping, o maior destaque são as duas fantasias usadas pelos integrantes do grupo. Com a invejável marca de 31 títulos, um octa-campeonato, um penta, dois tetras e dois tris, a Aruc é hoje a maior vencedora de desfiles de carnaval no Brasil, superando inclusive a sua madrinha Portela, do Rio de Janeiro.

Dez trófeus de todos estes já conquistados também estarão na exposição, incluindo o primeiro e o último. “Como não temos mais os desfiles de escola de samba em Brasília, essa parceria do Pátio Brasil com a Aruc é uma forma de não deixar o Carnaval daqui morrer, de manter viva a história dos nossos carnavalescos que é também a história da capital”, avalia a gerente de marketing do shopping, Karine Câmara.

HISTÓRIA – Após um começo marcado por dificuldades e polêmicas internas, a Aruc deu seus primeiros passos para uma hegemonia como pouco se viu nos carnavais do Brasil. Seus primeiros títulos formaram uma sequência de cinco anos, desbancando a até então maior rival, Alvorada em Ritmo da Asa Sul. Batizada por Natal da Portela, a escola azul e branco do Cruzeiro teve uma trajetória de muitas alegrias, mas também crises que deixaram marcas, que serviram para aguçar ainda mais o espírito de luta. Episódios como a desclassificação por reduzido número de integrantes em 1974 ou o até hoje misterioso sumiço da bandeira no desfile de 1979 marcaram uma década de problemas, mas inevitável volta por cima. Sob o comando do presidente Nilton Sabino, a Aruc assumiu a condição de maior escola de samba do Distrito Federal de uma vez por todas. Sob os cuidados do carnavalesco Roberto de Lima Machado, foi colecionando vitórias e mais vitórias.

Ainda nos anos 70 a Aruc abriu seu Departamento de Esportes sob a liderança de Helio dos Santos, mantendo a tradição de vitórias e formando grandes equipes de futebol, futsal e handebol, sempre representando o Cruzeiro e Brasília em competições locais e nacionais ou mesmo promovendo eventos esportivos como o Torneio Aberto de Futsal ou os Jogos Comunitários do Cruzeiro. Entre os principais troféus, destaque para o Campeonato Brasiliense de Futsal adulto em 1981, a Taça Brasil de futsal feminino em 1990 e a Copa Mercosul de Handebol em 2005.

Sucessor de Sabino, Helio chegou à presidência no início dos anos 80 e a Aruc continuou forte, com uma equipe de carnaval formada por Roberto Machado, que conquistou a maior sequência de vitórias em desfiles de carnaval em todo o Brasil, o inesquecível OCTA-CAMPEONATO, de 1986 a 1993. A Aruc também desenvolveu outras atividades na área cultural, cujo departamento promoveu os importantes concertos Canta Gavião, as Ruas de Arte e Lazer e inúmeras oficinas de artes plásticas e serigrafia, incentivando ainda mais a cultura cruzeirense ao desenvolver a produção artística da comunidade.

A quadra da Aruc passou a ser também uma referência em termos de shows, com a presença de grandes nomes do samba brasileiro em apresentações memoráveis ma quadra Nilton de Oliveira Sabino, assim batizada em homenagem a seu antigo presidente. Ainda na década de 90 a Aruc se transformaria em Clube de Unidade de Vizinhança do Cruzeiro, ao reformar quadras de esporte, construir piscinas e dinamizar sua parte desportiva. Foi um período de ausência nos desfiles por três anos consecutivos, devido a problemas de organização do evento por parte do GDF e da Liga de Escolas de Samba. Tanto tempo sem ouvir os surdos e tamborins da Bateria Nota 10, porém, não poderia se estender ainda mais. A Aruc retorna aos desfiles e fatura mais um campeonato.

Serviço

EXPOSIÇÃO DA ARUC NO PÁTIO BRASIL
Dias: 14 a 28 de fevereiro de 2017
Local: Praça Central do Pátio Brasil
Horário: segunda a sábado, 10h às 22h. Domingos e feriados, das 14h às 20h.
Entrada: gratuita
Informações: Moacyr – presidente da Aruc – 99258-6801

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