Banda Eddie apresenta “Noturna”, disco que une referências latinas, rock, frevo e novas sonoridades, renovando a trajetória da icônica banda pernambucana
Um novo Eddie e o velho e bom Eddie caminham de mãos dadas pelas ladeiras de Olinda em “Noturna”, álbum da banda pernambucana que chega às plataformas de streaming. O 11º disco em 37 anos de música traz 11 faixas, dez assinadas por Fabio Trummer (duas delas em parceria com Samuel Mota) e a décima-primeira, fechando a obra, de autoria do valoroso e saudoso amigo Erasto Vasconcelos. Há participações de JR Tostoi e Zé Cafofinho, entre outros parceiros, em uma celebração sonora que já anuncia as primeiras datas confirmadas para ocupar os palcos do país [agenda abaixo]. Sobre “Noturna”, escreve o jornalista e pesquisador Fábio Victor:
Um novo Eddie porque “Noturna” traz ritmos e elementos latinos nunca antes explorados pela banda, como cumbia, salsa e bolero. E porque o novo trabalho consegue renovar o estilo caleidoscópico que é a marca de um projeto tão longevo, acrescentando maturidade ao frescor de sempre.
Banda Eddie
Mas o velho e bom Eddie, nascido em 1989, segue íntegro. Ecletismo e versatilidade distinguem a banda desde o nascedouro, e ao longo de uma trajetória de quase quatro décadas fizeram a crítica festejar a “mistura de punk, frevo e dance”, de “Nirvana com Carnaval”, “pós-punk praieiro” e outras tantas associações. É o que, no título do seu segundo álbum, o próprio grupo sintetizou como Original Olinda Style.
Agora, uma das bandas mais inventivas do país se renova para manter sua essência. “As referências musicais de ‘Noturna’ vão do pós punk à chanson francesa, passam pela surf music dos anos 60, bossa nova, latinidades clássicas, jazz, Depeche Mode, o pop a Elton John… Mas buscando sempre nossa identidade acima das possíveis homenagens aos nossos heróis da música”, ilustra Fabio Trummer, vocalista, guitarrista e principal compositor do Eddie – além de único remanescente da formação original da banda.
“Reafirmamos nossas escolas, de João Gilberto a Johnny Ramone, usando uma estética de banda de garagem, elementos do dub, um acabamento rústico na sonoridade, costurando referências para criar um universo particular”, diz Trummer, que reconhece: “Ficou com a cara do Eddie Original Olinda Style mais maduro”. Segundo seus integrantes, “Noturna” é o disco em que a banda articula mais claramente suas ideias musicais e seu trabalho mais melódico até aqui. É difícil discordar.
FAIXAS – O mergulho começa com a canção que dá título ao álbum. “Noturna” (Trummer e Samuel Mota) é um quase um bolero psicodélico, em que a guitarra do vocalista e os teclados e sintetizadores de André Oliveira imprimem um tom de cabaré soturno enquanto Trummer declama: “O medo, a fúria, o calor das palavras/ Nas sombras, luxúria, o fim da madrugada/ Trafegas, noturna, no fio dessa navalha”.
Mas logo “Tudo Pode Ser” (Trummer e Samuel Mota) mostra que estamos num disco do Eddie, e desde o título essa salsa desbragadamente eddiana atesta uma das grandes características da banda: a festa como antídoto à realidade. Em “Saudade da Folia”, frevo e caboclinho – outra dança típica pernambucana – são turbinados por rock’n roll, e metais se unem à guitarra, ao baixo, teclado e bateria, como moldura para uma letra inspirada.
A cumbia “Vou Chamar Meu Povo” é um espelho do encontro entre o Eddie clássico e o atual. “É a faixa em que mais busquei usar elementos diferentes em relação à base e timbres”, afirma Trummer. Um dos recursos usados em busca da sonoridade desejada foi gravar num baixo Fender Telecaster 72. Em se tratando de uma banda que desde os primórdios valorizou e ajudou a revelar grandes cantoras – Buhr, Isaar, Sofia Freire –, desta vez é Julia Carvalho quem encanta na bela balada “Outra Solidão”.
A bossa nova comparece em “A Tua Verdade”, temperada por flauta e assobios. E o fim de um relacionamento ganha roupagem de reggae, com pegada folk à Bob Dylan (um belo realejo faz as vezes da gaita do bardo estadunidense), em “The End”.
Há espaço até para uma canção de ninar, a instrumental “Titi e Tom Tom”, cuja melodia Trummer cantarolava anos atrás para ninar seus filhos bebês enquanto os balançava na rede. Gravava no celular o canto que agora transpôs para a guitarra, enriquecida pela rabeca e o bandolim de Zé Cafofinho. Completam o álbum outra balada matadora, “Poema Mudo”, em que sobressai o arranjo do naipe de teclados; “Terra Sem Lei”, crônica desencantada em que o Eddie soa como si próprio e lembra ao mesmo tempo Cidadão Instigado; e “Poema da Paz”.
Esta última é a única, entre as 11 músicas do disco, que não é composta pela banda. É da lavra do velho amigo e parceiro Erasto Vasconcelos, morto em 2016, quando seu maior hit, “O Baile Betinha”, já havia se tornado também um dos grandes sucessos do Eddie. A gafieira é a mais executada da banda no Spotify.
“Poema da Paz” é um pouco menos dançante, mas carrega o DNA de Erasto, o irmão de Naná que unia sofisticação rítmica com simplicidade lírica. Em mais um reencontro com o velho Eddie, a voz do finado Erasto foi transposta de uma gravação e fundida às demais. Por fim, a banda revigorou suas origens ao gravar em Olinda e com um antigo parceiro de estúdio, o produtor Buguinha Dub, com quem já haviam feito um dos grandes álbuns de sua trajetória, “Carnaval no Inferno” (2008). “Ele tem também essa vibe olindense no seu trabalho e queríamos, quase 20 anos depois, todos mais maduros, potencializar nossas musicalidades”, comenta Trummer.
Turnê Noturna – primeiras datas confirmadas:
13 e 14/08 – São Paulo (Sesc 14 Bis)
29/08 – Caruaru (Festival Pernambuco Meu País)
12/09 – Brasília (Festival Jurema Dança)
19/09 – Belo Horizonte (Autêntica)
17/10 – Rio de Janeiro (Circo Voador)
12/11 – Natal
14/11 – Recife (Teatro do Parque)
26/11 – Maceió (Rex Bar)
Ficha Técnica – Noturna
Banda Eddie:
Fabio Trummer – Voz, guitarra e violão
Andre Oliveira – Teclados e trompete
Rob Meira – Baixo
Kiko Meira – Bateria
Músicos Participantes:
JR Tostoi – Guitarra | Maestro Babá – Trombone | Leandro Gervásio – Tuba | Sofia Mota – Vozes | Sofia Teixeira – Vozes | Julia Carvalho – Vozes | Vitor Trummer – Flauta | Samuel Mota – Teclado e violão | Icaro Annes – Escaleta | Gilsinho – Percussão | Zé Cafofinho – Rabeca e bandolim | Gaspar Andrade – Realejo
Produção Musical: Fabio Trummer e Buguinha DUB | Coprodução: Samuel Mota | Mix: Buguinha DUB | Master: Arthur Joly | Estúdios: Mundo Novo – Olinda e Zarabatana Records – Brasília | Produção Executiva: Fruta Pão Produção – Olinda















