A Casa da Cultura da América Latina reúne oito dezenas de obras do acervo da exposição Te Faço Nascer Livre

Pertencente à Universidade de Brasília, o acervo da Casa da Cultura da América Latina atualmente reúne 2.700 peças. As diferentes coleções que constituem o acervo abrigam obras de arte, arte popular e objetos etnográficos.

A mostra que abre neste mês de setembro na CAL parte da ideia de misturar as peças, provocando aproximações e diálogos entre objetos etnográficos, trabalhos de produção popular e obras de arte contemporânea.

A exposição faz parte do projeto de extensão contínuo “Curadorias Visíveis”. Voltado para a reflexão sobre o acervo da instituição como meio de formação de estudantes, o projeto é proposto e orientado pela professora do Departamento de Artes Visuais da UnB Cinara Barbosa, que atendeu ao convite de Alex Calheiros, diretor da CAL. Nesta segunda edição do programa, os curadores e pesquisadores são alunos do curso de Teoria, Crítica e História da Arte da UnB. “Além de realizar a exposição, o propósito é contribuir de uma maneira ampla para a formação de pesquisas curatoriais por meio do acervo e pelas várias atividades em equipe que envolvem a curadoria”, explica Cinara Barbosa.

Na abordagem proposta pela equipe de estudantes, o acervo etnográfico e o questionamento de concepções de coleções de arte são destaques desta exposição. Através das peças reunidas, enxerga-se a formação plural de povos que carregam heranças e vivências culturais europeias, africanas e ameríndias.

Para a exposição Te Faço Nascer Livre a curadoria destaca a heterogeneidade da produção reunida e ao mesmo tempo evidencia tratamentos problemáticos que as peças passaram a ter ao longo da história da arte. Seguindo a perspectiva do estudo orientado colocam-se em questão autorias conhecidas e desconhecidas e arriscam possibilidades expográficas originais como forma de sinalizar possíveis esquecimentos dessas produções.

Entre as obras mostradas estão uma boneca de cerâmica produzida pela etnia Karajá e uma máscara ritual da tradição dos povos Wayana e Aparai. Também faz parte da exibição uma série de desenhos vinda do México, de autoria desconhecida e datação igualmente desconhecida, feita sobre um tradicional suporte chamado amate (tipo de papel elaborado a partir de cascas de árvore).

Destacam-se também produções de dois históricos professores da UnB: o pintor carioca Milton Ribeiro (1922-2013) e a gravadora mineira Stella Maris (1946-2001). O primeiro foi trazido para a universidade por Darcy Ribeiro. A segunda foi responsável pela criação do ateliê de xilogravura do Instituto de Artes. Mais de duas centenas de obras de Ribeiro foram deixadas sob a guarda da instituição. E a família de Stella doou sua coleção de arte à CAL.

O nome desta exposição também está ligado a uma personagem da UnB. Te Faço Nascer Livre remonta a texto que Laís Aderne (1937-2007) escreveu em 1987 quando da criação da Casa da Cultura da América Latina. Professora e artista de marcante atuação no cenário brasiliense das artes cênicas e visuais, Laís Aderne enxergava a CAL como polo de afinidades e identidades transnacionais.

“Te faço nascer no meio das brumas, para que seja brilhante o porvir de meu povo. Te faço nascer no planalto, para localizar-te no coração de minha terra. Te faço nascer hoje em Brasília para que sejas a CASA de encontro de todos os meus irmãos. Te faço nascer para que sejas, e que nos faça ser… LIVRE, América Latina.” (Laís Aderne, 1987)

Te Faço Nascer Livre

Galerias CAL e Acervo da Casa da Cultura da América Latina da UnB

(Setor Comercial Sul, Quadra 4, Edifício Anápolis, Brasília-DF, telefones 61-3107-7963/7965)
Abertura: 24 de setembro (terça-feira), às 19h
Visitação: 25 de setembro a 22 de novembro de 2019, diariamente, das 9h às 19h
Entrada franca
Classificação indicativa: livre

Ficha técnica

Orientação Cinara Barbosa
Coordenação geral Luana Pires
Curadoria / Pesquisa Renata Reis e Victor Zaiden
Assistência de curadoria / Pesquisa Maria Carolina e Ludmylla Barbosa
Curadoria / Montagem Raylton Parga e Sarah de Melo
Curadoria / Produção Ana Lara Oliveira Simão, Luana Pires, Ludmylla Barbosa e Priscila Coser
Curadoria / Educativo Ludmylla Barbosa
Curadoria / Comunicação Bernardo Scartezini e Giovanna Pereira
Legendas das imagens de divulgação

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