Criatividade: as ideias por trás das obras de arte


Companhia de dança
Cia de Dança Rodrigo Cruz | Foto: Célio Maciel

O KOH – Núcleo de Pesquisa da Cena questiona como se dá esta construção na mente de grandes coreógrafos contemporâneos

Uma obra de arte. Um quadro, um poema, um filme, um livro, um espetáculo de dança, uma performance. Tantas são as formas de expressão artística e único é o ponto de partida de todas elas: a criatividade. Criar é uma forma de expressar e comunicar sentimentos que transpõe barreiras. Ela se relaciona a algo imaginativo e resulta no novo. Nas sete artes, o processo criativo é multi. Multidisciplinar, conversa com a história de vida do artista, seu contexto, suas experiências, os materiais, a música.

Por mais livre que seja, contudo, o processo criativo requer uma estrutura. Como ele se dá em cada uma das sete artes? No teatro e na literatura, por exemplo, técnicas e estratégias são definidas para construir uma história e envolver o público. No cinema, a jornada do herói é um dos recursos usados na elaboração do roteiro. A metodologia permite que a leitura da obra flua e dê margem a pensamentos outros, dando passagem à criação e à imaginação. Como será a sistematização na mente dos coreógrafos contemporâneos?

Para olhar a dança e o espetáculo que a cerca, é preciso olhar na dança, quem a desenhou. Esta é a proposta do projeto O Olhar na Dança, do KOH – Núcleo de Pesquisa da Cena, coordenado pela bailarina, atriz e produtora Juana Miranda. A partir de uma inquietação particular, Juana resolveu pesquisar o processo de criação dos coreógrafos em atuação. “O núcleo tem no seu conceito a união das linguagens do teatro, da dança e do cinema na cena. E o Olhar na Dança vem a questionar: se no cinema utiliza-se teorias para montagem de um filme, queremos entender a mente e os processos criativos dos coreógrafos.”, explica Juana.

O Olhar na Dança  será lançado dia 23 de janeiro, terça-feira, às 19h30 no Museu Nacional da República, Auditório 2. O evento será aberto ao público com bate papo sobre processo de criação com profissionais de diferentes áreas. Entre eles, Carol Senna, designer gráfico, Gustavo Serrate, cineasta e roteirista, Humberto Araújo, fotógrafo. A mediação ficará por conta da produtora, atriz e bailarina Juana Miranda.

O projeto, com patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, resultará em um livro – com 30 entrevistados – e também em um site. Este servirá como observatório da dança e um espaço de comunicação. Lá serão publicadas notícias sobre criatividade, entrevistas curtas, um mapeamento dos grupos de dança por região, curiosidades, além de ser uma plataforma de divulgação para o trabalho das companhias. “Com tão poucos livros sobre o assunto no Brasil, nosso objetivo é disponibilizar essas informações para todos. Estabelecemos critérios e escolhemos coreógrafos com mais anos de carreiras e mais trabalhos produzidos”, comenta Juana, coordenadora da pesquisa.

As entrevistas com os coreógrafos começaram em outubro. Elas serão divulgadas no site, como pílulas, e completas no livro. Contudo, é um processo aberto. A ideia da página na internet é fazer com que os grupos indiquem coreógrafos e interajam com o núcleo de pesquisa.

O site é o elo de comunicação entre as pessoas. A equipe do projeto está reunindo o máximo de informações para entrar em contato com faculdades, bailarinos, grupos e escolas para que as pessoas tenham vontade de cadastrar o grupo na plataforma e deixar o campo aberto tanto como contato quanto para visibilidade. “O mapeamento dos grupos no Brasil é um dos focos principais da página. Queremos que esse contato com as companhias e entre elas seja de fácil acesso”, comenta Juana.

Dança

A partir dos anos 80, acentua-se a diversidade nos modos de encenação dos corpos dançantes. Começa a aparecer a mistura de diferentes formas de dança, a transversalidade entre as disciplinas artísticas, a fragmentação do espaço cênico, a integração de métodos de treinamento corporal. Sem falar no fluxo migratório de dançarinos e coreógrafos e a aceleração das trocas de informação.

As preocupações não estão mais centradas nas piruetas ou no equilíbrio na ponta do pé. Aparecem novas músicas, novas imagens, descobertas do corpo e do silêncio. Uma dança diferente e contemporânea que possa integrar no tempo: novidade, coerência e novidade. Diante deste cenário, com tantas possibilidades, haveria uma sistematização ou uma metodologia para cada coreógrafo?

Serviço

Bate papo sobre processo de criação e lançamento do projeto O Olhar na Dança
23 de janeiro, terça-feira
19h30
Museu Nacional da República, Auditório 2
Entrada gratuita

Sobre o KOH
O Núcleo de Pesquisa da Cena, criado em janeiro de 2017, propõe investigação e troca sobre a união das linguagens do teatro, dança e cinema na cena. Em ambiente virtuais através das redes sociais (Facebook: @KOHnucleodepesquisadacena e Instagram: @nucleodepesquisadacena), e também presencialmente através de espaços para treinamento, pesquisa e aperfeiçoamento. Organizamos oficinas de intercâmbio como a oficina do Stephane Brodt, diretor da Cia Amok (RJ) realizada em junho de 2017.

Realizamos oficinas próprias, tendo realizado oficina DRAMATURGIA NA DANÇA para grupos e no curso de dança do Instituto Federal de Brasília, e também treinamento das residentes dentro do Festival Nacional de Danças Urbanas Batom Battle 2017.

Sobre Juana Miranda
Atriz, bailarina, produtora e pesquisadora da cena. Formada em Comunicação Social com especialização em Gestão Cultural com foco em Produção, trabalha com marketing de entretenimento, gestão e produção cultural pensando na profissionalização do mercado. Estudando teatro com a diretora Luciana Martuchelli há alguns anos, em 2009 fizeram o curso Odin Week na Dinamarca, onde conheceu o Teatro Físico do diretor Eugênio Barba.

Após esse marco iniciou projetos de pesquisa, tendo realizado os espetáculos: A DESPEDIDA (2010) criado em parceria com Hanna Reitsch e direção de Iuri Saraiva, o mesmo participou do Festival Internacional Cena Contemporânea 2011; CIRANDA DAS HORAS (2013) criado em parceria com Larissa Leite e direção de Rosa Antüna; O SILÊNCIO DO MUNDO – VELEJANDO EM SOLITÁRIO (2016) e no mesmo ano foi selecionado no Prêmio SESC de Teatro Candango, onde ganhou Melhor Iluminação. Em 2017, lançou o KOH –Núcleo de Pesquisa da Cena e desde 2011 é responsável pela CHANG Produções, tendo elaborado, produzido, divulgado e feito prestação de contas de diversos projetos.

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